Dunga não precisa temer mais ninguém
Nunca gostei de valorizar treinador em time algum. Sempre achei que o ‘professor’ tem méritos reduzidos em vitórias e derrotas. O jogador é quem ganha ou perde. É quem acerta ou erra. No Brasil, no entanto, passamos a reverenciar o comandante como estrela da companhia. A carência de craques talvez explique isso um pouco. A personalidade de alguns técnico também. Nunca pensei que fosse escrever isso, mas Dunga deu um jeito na Seleção Brasileira. E hoje não precisa temer a sombra de ninguém. É o único treinador do país (não era nem treinador até esse trabalho) a começar um time do zero e a dar padrão a ele, sempre aliado a bons resultados. Façanha e tanta principalmente porque cada mexida era uma paulada na sua cabeça de críticos e torcedores. Dunga nunca foi um sujeito simpático, capaz de usar sua simpatia para empurrar para debaixo do tapete algumas sujeiras. Pelo seu discurso e comprometimento com a ética, não teria essa coragem. Com ele é na lata, doa a quem doer. Teve um presidente que também pensava assim. Tudo bem que o material da Seleção é o melhor do mundo. Mas não era só convocar e distribuir a camisa. Foi preciso fazer mais. E Dunga fez. Jorginho, seu amigo e confidente, ajudou. Todo mundo sabe que hoje a Seleção tem dois treinadores, um de fato e outro de bastidor. Está funcionando. Dunga aceita as recomendações de Jorginho e Jorginho não precisa da fama de treinador. Juntos eles deram um jeito no Brasil escurraçado na Copa da Alemanha. Há quanto tempo ninguém imaginava que o time pudesse virar um marcador numa decisão como fez diante dos EUA na Copa das Confederações? Com Kaká no comando, o elenco assumiu sua condição de ’seleção do bem’, se é que podemos chamá-la assim. Até o ex-menino-problema Luís Fabiano parece um cordeirinho. Ontem, no Bem, Amigos, da Rede Globo, mandou beijos para as filhas, mulher, familiares. Fosse em outra época passaria ao fundo tocando algum instrumento de percussão. Dunga deu a ele a 9. Ajeitou a defesa, acertou nas opções do meio de campo. Descobriu Felipe Melo e Ramirez. E fez Maicon jogar. Tem agora poucas missões no time até 2010. Uma delas é ajeitar o lado esquerdo, ainda fraco. E a outra, maior de todas, é recuperar Ronaldinho Gaúcho. Depois de ter o time classificado para a África do Sul, esse será seu maior projeto.